15 de abr de 2011

Habitações ecológicas e sustentáveis

Nestes tempos em que os governos, empresas e cidadãos em todo o mundo despertam para a urgência da preservação da natureza, do meio ambiente e para a conservação dos recursos naturais como a única forma de assegurar a qualidade da vida e a permanência pacífica da humanidade sobre o nosso planeta; o setor da construção civil também vem buscando, re-inventado e implementando métodos, sistemas, técnicas e tecnologias, das mais antigas as mais modernas, para atender aos pré-requisitos de um tipo de habitação mais eficiente - A habitação consciente, ecológica e sustentável.
Imagem: Maquete do trabalho elaborado pela equipe do Laboratório de Planejamento e Projetos LPP/CAR/UFES.


Esta urgente e nova ordem mundial requer de cada líder, cada povo e de cada indivíduo, uma reflexão e uma tomada de consciência mais rápida, que agilize a mudança de atitudes e dos costumes que estávamos habituados a ter.

De agora em diante o nosso lema, foco e compromisso são: a auto-sustentabilidade, a cultura do “não desperdício”, o consumo consciente, a economia dos recursos naturais, a redução de emissão de CO2 na atmosfera, a qualidade de vida, a economia de recursos naturais e a geração de renda, ascessível e possível à todos.

A sustentabilidade baseia-se nos seguintes aspectos: ambiental, econômico e social, que devem coexistir em equilíbrio; direcionando o resutado da equação: projeto x construção x habitação, para o ideal das escolhas específicas, únicas, originais e personalizadas para cada indivíduo, cada grupo, região, sempre considerando o meio ambiente, o homem e os recursos disponíveis.










É neste contexto que entram a arquitetura e a construção sustentável e ecológica, ou como alguns denominam - a bioarquitetura e a bioconstrução - como modalidades de projetos e de obras de reforma e construção, que se fundamentam no uso de mão de obra e de materiais regionais, e ecologicamente corretos, recicláveis, reutilizáveis, sustentáveis, não-poluentes; que não agridam o meio ambiente, seja em seu processo de obtenção ou de fabricação, seja durante a sua aplicação imediata, ou ao longo de sua vida útil.
Os profissionais comprometidos com essa mentalidade avaliam os pre-requisitos para a viabilidade ecológica, econômica e social antes, durante e depois da concepção do projeto e da obra, levando-se em conta os recursos e materiais disponíveis no local ou região, combinando-se a isto as diversas técnicas milenares de construção e as mais modernas tecnologias que se dispõe no mercado, norteando-se pelos princípios a seguir:


Detalhe da construção de chalé com base estrutral de pedras roladas assentadas com argamassa, pilares e estrutura de telhado de madeira de reflorestamento e paredes de típa leve em malha de bambú. Fonte: Ecovila Viver Simples

O uso de matérias-primas naturais e renováveis, disponíveis natureza e na área do entorno da obra, tais como: mão de obra local, pedra rolada, pedra de mão, madeira de reflorestamento certificadas; bambu; areia; barro e terra utilizados em forma de adobe, super-adobe, taipa leve, ou taipa de pilão.

No quesito divisórias podem ser usados cascalho, brita, taipa (composto por barro pilado, misturado com palha, aplicado sobre uma trama de bambus ou de galhos e troncos de árvores ou arbustos resistentes e excedentes na mata), e para os acabamentos cai muito bem usar conchas, palhas, fibras naturais e pinturas a base de cal com pigmentos e corantes naturais, ou o uso de “ecotintas” industrializadas já prontas para a aplicação.


Detalhe da calha em telhado verde para coleta de águas das chuvas - Fonte: Habitare.

A economia do consumo de água potável, com a utilização de sistemas que proporcionam o reuso de água da chuva, por meio da sua coleta, armazenagem e reutilização, que pode ser usada para a descarga de sanitários, regas de jardins, lavagem de pisos e de automóveis e para a refrigeração; assim como para o sistema de combate a incêndio e demais usos permitidos para água não potável.

Outra medida para a redução do consumo de água potável, que assegura uma enorme economia, advém da instalação de vasos sanitários com bacias acopladas acionadas por válvulas especiais, que acionam dois tipos de fluxos de água para descarga: um com um volume maior e outro com volume menor de água, específicos para o tipo de descarga sanitária que se necessita.

O uso de torneiras para lavatórios com acionamento eletrônico ou temporizador por pressão também garantem a redução do consumo e o uso inteligente e consciente da água.

Esquema de coleta solar, armazenamento, distribuição e uso da energia para aquecimento de água.


Residência ecologica e sustentável com coletores de energia solar no telhado e cataventos para energia eólica.










A economia de energia que se pode obter com a implantação de sistemas alternativos e eficientes de captação e de armazenamento, como a instalação de placas coletoras da luz do sol no telhado, garantem o aquecimento da água.

A auto-suficiência energética capaz de produzir a eletricidade necessária para fazer funcionar equipamentos elétricos e eletrodomésticos de toda a casa também pode ser obtida através da energia solar, quando se faz o uso de coletores acoplados a baterias especiais.

Em regiões de alta incidência de ventos pode-se ainda lançar mão de sistemas para a captação da energia eólica (ventos).


A beleza e criatividade do colorido mosaico feito com cacos de azulejos na parede desse Hall que se integra ao piso de pedras locais e as madeiras de demolição das esquadrias. Fonte: Earthship Biotecture.

O uso de matérias-primas recicláveis ou reutilizáveis advindas dos excedentes e refugos da construção civil, como: placas de concreto armado, blocos de cimento para calçamento, madeiras, esquadrias, telhas, tubos, entulho, assim como os azulejos e pisos cerâmicos descartados que podem ser aplicados na confecção de painéis e pisos de mosaico.

Isto se dá também com uma infinidade de materiais, oriundos de vários outros setores da indústria, tais como: ferros e vergalhões, paletes, pneus, vasilhames do tipo pet, garrafas e garrafões de vidro, latinhas de alumínio, barris e galões de plástico e de uma outra imensa variedade de materiais que podem ser facilmente encontrados em ferros-velhos, lojas de material de demolição e brechós, como por exemplo: dormentes, assoalhos, esquadrias, ferragens, vidros, espelhos, cacos de vidro, garrafas de vidro, ladrilhos hidráulicos, louças, metais, bancadas, móveis e etc.


Paredes de garrafas multicoloridas, assentadas com argamassa de barro, banheira e piso de pedras e argamassa de barro tingida com pigmento natural na cor verde e cúoula de ferro e vidros de ferro velho. Fonte: Earthship Biotecture.


Paredes de pneus, latinhas de alumínio, taipa de barro tingido com pigmento natural (p.e. urucum) Fonte:Earthship Biotecture.

É possível encontrar também no mercado materiais já prontos para a utilização, como: telhas, forros, tapetes, carpetes, móveis, conduítes, painéis e divisórias feitos a partir da reciclagem de embalagens do tipo longavida e de diversos tipos de plásticos, papelão, fibras naturais, restos de madeireiras; além de lâmpadas com maiores índices de economia e de durabilidade, ideais tanto para residências, empresas, condomínios e estabelecimentos comerciais.


Telhado verde , que reduz o calor e protege do frio em qulaquer tipo de habitação

Uma construção executada levando-se em conta a direção e a velocidade dos ventos dominantes, será sempre mais saudável, pois será sempre bem ventilada, terá sua atmosfera interna sempre renovada e jamais será abafada, ou guardará calor excessivo nos meses mais quentes. Tampouco será húmida ou gelada demais nos meses de inverno.

Pois toda habitação abafada e quente ou umida e gelada demais está fadada a propiciar a multiplicação de doenças.

Para o bem da saúde de todos os usuários, toda habitação deve primar pelo equilíbrio e o conforto térmico.

A implantação correta da habitação no terreno, assegura que se tenha um ambiente saudável e confortável, em qualquer estação do ano, proporcionando um clima intra e extra ambiental sempre temperado e ameno; dipensando-se o uso de ar concidionado e outros eletrodomésticos para o resfriamento ou aquecimento dos ambientes.

Necessidades básicas como ar, alimento, água e abrigo são instintivas a todos os seres humanos assim como para todos os animais. Todos nós buscamos a segurança de viver bem, com mais conforto e saúde. Todos nós anseamos por boa comida, abrigo, segurança, geração de renda e qualidade de vida.

É importante saber que apesar de muito generoso, o nosso planeta também tem limitações nas reservas naturais de energia que pode dispor, de modo a cuidar bem e igualitariamente de tanta gente. De todos nós!

A água potável, as reservas de energias fósseis, a capacidade dos mares de gerar alimentos, da atmosfera para nos fornecer o ar que respiramos e das áreas cultiváveis no planeta para produzirmos o nosso alimento na terra são limitadas, e que devido ao desperdício, da poluição, do consumo desenfreado e da ganância, podem se esgotar.

Uma casa, um consultório, um hotel, um escritório, um condomínio, uma loja, um restaurante, um shopping, uma empresa, uma indústria, uma rua, um quarteirão, um bairro, uma cidade, um estado, um país ou um continente sustentável e ecológico são então o fruto de uma equação bem fácil e simples de se implantar.

A habitação sábia tem o estilo sustentável, ecológico, viável e econômico de ser e visa o bem estar e bem viver das pessoas e o eficiente usufruir de tudo que a natureza e o meio ambiente no nosso planeta tem a nos oferecer.

OBS: Este artigo foi originalmente postado pela autora no seu outro Blog Lecy C. Picorelli Arquitetura  em 17/03/2009 AS 21:44 hs


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A obra Lecy C. Picorelli - Bioarquitetura e Bioconstrução de Lecy C. Picorelli - Bioarquitetura e Bioconstrução foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.
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Um comentário:

Rodrigo Vicente disse...

Muito bom esse post, parabéns pelo blog!

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